Ninguém trabalha pelo dinheiro

Silvio Santos já perguntava: quem quer dinheiro? E se eu te disser que a resposta é NINGUÉM? Nem eu, nem você, nem ninguém trabalha pelo dinheiro. Nós fazemos tudo para ter o que o dinheiro pode comprar. Os zeros na conta bancária não fazem diferença, o que faz é a tranquilidade, a segurança, o status, o poder de compra. Então vamos aceitar: ninguém trabalha pelo dinheiro, mas pelo o que o dinheiro pode comprar.

Se fossemos felizes simplesmente pela posse do dinheiro não haveria economia – todo mundo guardaria o dinheiro e nada mais aconteceria: sem compras, sem vendas, sem negociação, sem consumo. É impossível ter uma economia em que todo o dinheiro está nas mãos das pessoas, mas não circula. Talvez sequer existisse banco (será que deixaríamos nosso bem mais precioso em uma conta que só existe numa nuvem em algum lugar do mundo?). 

Se você ganhasse na mega sena amanhã, o que você faria? Aposto tudo que eu tenho que você não respondeu “eu ficaria na frente da tela do computador vendo o dinheiro se multiplicar”. O nosso prazer não vem dos números, das cifras, dos cheques e cartões, mas do que isso representa. E a cada um de nós será diferente.

Ninguém trabalha pelo dinheiro. Cada um de nós trabalha, cede seu tempo por aquilo que o dinheiro pode comprar para nos satisfazer. Para alguns é status, com o carro do ano – para outros é experiência, como aquele jantar ou viagem inesquecível. Há quem trabalhe pela tranquilidade e segurança de saber que tem dinheiro para hoje e para o futuro. Ninguém aceita fazer hora extra só para acrescentar alguns dígitos na conta bancária, mas que atire a primeira moedinha quem nunca aceitou trabalhar mais do que deveria para tirar férias mais legais, poder comprar aquele desejo de consumo, ou simplesmente para fechar o mês mais folgado.

Mas uma coisa que todos nós temos em comum é que temo sonhos – e queremos realizá-los. Muitos sonhos parecem inalcançáveis, tão distantes quanto o Brasil do Japão, e por isso deixamos eles lá, como sonhos. Mas está nas nossas mãos o poder de realizá-los, basta planejar. Os dois primeiros passos de qualquer realização são esses: sonhar e planejar.

Primeiro, se permita sonhar, deixe a imaginação fluir. Depois, sente e comece a pesquisar quanto realmente custa seu sonho. Pode ser mais ou menos do que você imaginava, não importa, pelo menos você agora sabe exatamente quanto custa realizar aquele seu sonho e pode começar a fazer ajustes para torná-lo realidade. O ajuste pode ser no seu orçamento – quais escolhas você pode fazer em nome do seu sonho? – mas também podem ser no sonho – não há nada de errado rever objetivos. 

Mas é crucial lembrar que nem dinheiro nem sonhos exigem sacrifícios, mas escolhas. Em uma conversa, uma moça me pediu para explicar como se economiza porque simplesmente não sobrava dinheiro na vida dela. Eu lhe dei um dever de casa bem típico das finanças pessoais: anotar tudo que ela gastou em um mês em uma folha de papel. Quando ela chegou com a lista, eu pedi que escrevesse no alto da folha, como um título, o que ela queria fazer com o dinheiro que economizasse. Então, eu pedi que ela selecionasse tudo na lista que valia menos a pena do que seu objetivo. Como que por um passe de mágica ela havia encontrado diversas coisas que poderiam ser economizadas.

Você não precisa deixar de fazer tudo o que ama para guardar dinheiro e alcançar objetivos, a pergunta na verdade é: Qual a sua real prioridade? Onde esse dinheiro vai trazer mais realização – nos gastos de hoje ou no sonho do futuro? Quando pensamos nosso orçamento como escolhas – e não sofrimento – o processo é mais leve, mais simples, mais agradável. 

Lembre-se: dinheiro não é um fim, é um meio. E quando você estiver fazendo hora extra, quando estiver tentando economizar, quando estiver escolhendo seus investimentos, pense no SEU fim. Por que você dedica horas do seu dia para coletar esse dinheiro? O que você está abrindo mão para estar lá? Essa escolha vale realmente a pena? 

Uma das principais características da educação financeira está na capacidade de mudar nossa relação com o dinheiro. Ao invés de estarmos sempre de olho no que falta, mudar o foco para um caminho de pequenas vitórias que nos levam até a grande realização dos nossos sonhos.

O que você precisa para investir na bolsa?

O conjunto de resultados da economia brasileira está fazendo o investidor brasileiro repensar sua estratégia de só investir em renda fixa. Para aqueles que estavam acostumados a ver aplicações rendendo quase 15% ao ano, a queda dos juros básicos da economia de 13,75% para 4,25% em pouco tempo, derrubou o retorno dos investimentos em renda fixa baseados no CDI. Só em 2019 o índice ibovespa rendeu 31,58% e a economia começa a demonstrar sinais de recuperação. A consequência natural foi ver um aumento no número de investidores pessoas físicas observando e investindo em ações, mas antes de investir seu rico dinheirinho na bolsa de valores há algumas coisas que você precisa fazer.

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O que é educação financeira?

Dinheiro ainda é tabu em muitos lugares e “educação financeira” é um dos termos mais usados nas poucas conversas que acontecem. O problema é que este talvez seja uma das ideias menos compreendidas ou mais mal interpretadas. Muita gente acha que educação financeira se resume a fazer planilhas, cortar o cafezinho, economizar todos os centavos – e isso está bem longe da realidade. O objetivo deste texto é explicar o que realmente significa ser educado financeiramente e, no final, dar algumas dicas de por onde começar esse processo.

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Como qualquer produto financeiro, a previdência privada tem custos que precisam ser observados quando um investidor for fazer sua escolha e assinar o contrato. Basicamente existem duas taxas, mas elas podem ter alguns formatos diferentes, e por isso vamos esclarecer esse tema hoje.

Taxa de administração

O nome dessa taxa pode confundir um pouco sobre como e por quem ela é realmente cobrada. A administração a que ela se refere é dos recursos investidos nos fundos e é cobrada pelas gestoras que efetivamente investem o seu dinheiro. Cada fundo tem sua própria taxa de administração que tende a ser mais alta quanto mais complexa for a estratégia. Por exemplo, fundos multimercados são mais caros do que renda fixa simples, porque requerem mais tempo e conhecimento do gestor.

Essa taxa é cobrada sobre o valor patrimonial do fundo, isso é, sobre todo o valor investido e é calculada diária e proporcionalmente.

Essa taxa é inescapável já que é aplicada diretamente nos fundos previdenciários que alocam seu dinheiro. Porém, podemos reduzir os custos ao buscar opções melhores e mais baratas. Normalmente fundos de gestoras independentes, isto é, que não são dos grandes bancos, cobram taxas mais alinhadas com o mercado. Para entender o que é uma taxa “cara” ou “barata” é preciso comparar com um fundo equivalente de outra gestora ou com fundos do mesmo tipo mas que não estão no plano de previdência.

Taxa de carregamento

Essa sim é uma taxa cobrada pela seguradora como compensação pelo produto como um todo. Essa cobrança “come” uma parte do dinheiro que você colocou direto no plano. Há dois tipos de carregamento: de entrada e de saída. A taxa “de entrada” é descontada no momento em que o dinheiro chega à seguradora, e desta forma valores menores são investidos nos fundos. A taxa de saída é cobrada no momento do resgate, transferência ou portabilidade do plano. 

Um detalhe importante é que a taxa de carregamento só é descontada sobre os valores que você efetivamente investiu e nunca sobre os rendimentos. As taxas de carregamento de saída tem efeito negativo menor que as de entrada, pois permitem que um montante maior seja investido, gerando mais juros antes de fazer a cobrança. Essa é uma cobrança comum no momento da portabilidade, como um “pedágio”, e normalmente os fundos cobram taxas decrescentes – quanto mais tempo você fica na seguradora, menor vai ficando a porcentagem, até muitas vezes ser zerada.

A boa notícia é está cada vez mais fácil encontrar planos e seguradoras que não fazem essa cobrança, o que aumenta exponencialmente seus ganhos devido aos juros compostos. Se o seu corretor ou gerente só te oferece planos com taxas de carregamento, busque alternativas em outras instituições e em pesquisas online.

COMENTÁRIO: Pagamento de Imposto de Renda (IR)

Um custo comum a todos os investimento é o Imposto de Renda, mas ele tem características especiais quando aplicado à previdência. Primeiro de tudo, os fundos previdenciários não sofrem o chamado come-cotas, quando há a antecipação do imposto. Desta forma, toda a cobrança de IR é feita no momento do resgate, de acordo com a tabela tributária selecionada quando da compra do produto. Esse pagamento é feito direto pela seguradora, que recolhe os valores corretos na fonte e te oferece um informe de rendimentos com os dados que devem ser incluídos na declaração de ajuste anual.

Para relembrar as possibilidades de tributação, veja este post.

Nesse especial de previdência privada cobrimos os principais aspectos deste produto: tributação, seguradoras, portabilidade, fundos, carteiras e taxas e com isso terminamos hoje esse tema. Se você perdeu algum texto consulte a lista abaixo, e se ainda tiver alguma dúvida, deixe seu comentário!

Produtos e Tributação

Seguradoras e Portabilidade

Fundos e Carteira

Depois que você já aprendeu sobre os diferentes produtos e tributações previdenciários (e qual é o melhor para você) e já está de olho na seleção da seguradora chegou a hora de falar de um dos pontos principais para o sucesso de qualquer previdência privada: quais investimentos escolher para multiplicar o seu dinheiro da aposentadoria? Como balancear uma carteira de previdência? Para te ajudar com esse tema, vamos falar dos fundos de previdência e gestão de carteira!

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No post da semana passada, falei um pouco sobre os produtos disponíveis no mercado de previdência privada, quais os tipos de tributação podem ser selecionados e como escolher o melhor modelo para você. Mas para escolher o produto certo, primeiro é importante saber onde comprar, e por isso vou falar do processo de escolha da seguradora e a possibilidade de transferência entre seguradoras – a chamada portabilidade.

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Com a reforma da previdência aprovada no Congresso em 2019, a importância da previdência privada ficou ainda mais evidente. Porém, mesmo com a consciência de que aposentar está mais desafiador do que nunca, apenas 6,3% da população brasileira tem algum tipo de aposentadoria privada. Hoje, vou esclarecer o básico sobre as opções que temos no mercado. E se ainda assim ficar alguma dúvida, é só deixar um comentário aqui ou no instagram @isa.fontanella ! Então vamos lá!

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Diversificando a Renda Fixa: CRI e CRA

A queda da taxa SELIC desde 2016 tem causado uma revolução nas carteiras de muito brasileiros – especialmente na dos acostumados com a renda fixa que pagava juros de dois dígitos. Uma das principais consequências é que muitas pessoas buscaram novos produtos de renda fixa com rendimentos maiores, mas nem sempre entendem os riscos e a complexidade desses investimentos. A diversificação é um movimento positivo, desde as corretoras até as carteiras individuais, mas é preciso entender melhor no que estamos investindo para não correr riscos desnecessários. O objetivo de hoje é explicar em detalhes o funcionamento de CRIs e CRAs para você investir com confiança.

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Fundos de ações ou ETFs?

A batalha das gestões

Este é o terceiro texto da trilogia sobre gestão ativa e passiva de ações, e o dia da grande batalha: Vale a pena investir em fundos que não ganharam do Ibovespa em 2019? Se você ainda não leu os dois primeiros textos confira aqui: Round 1 – Gestão Passiva e Round 2 – Gestão Ativa.

Como falei nos textos anteriores, tudo no mundo dos investimentos tem seus prós e contras. Mas o grande debate que inspirou essa trilogia pergunta especificamente sobre os fundos “ganharem” do índice passivo do Ibovespa e se estratégias que perdem ainda fazem sentido. E é por isso que hoje pretendo comparar diretamente as duas opções e alimentar a conversa.

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